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domingo, 9 de outubro de 2011

CARTA DE UM BAIANO


Um texto que acabou de ser psicografado, por um baiano, só peço irmãos que se divulgarem não esqueçam de escrever a autoria. Vale a pena conferir o texto, é muito bonito.

Carta de um Baiano

O sol sempre foi uma das preocupações, mas sem ele nunca teríamos sobrevivido, a seca é dura, mas ela nos faz lembrar o quanto somos fortes e guerreiros.
A poeira que cisma em subir faz nos lembrar que não somos mais do que isso perto da luz de nosso grande mentor.
Nossa vida foi dura, nossa vida foi difícil, mas mesmo assim, carregamos em nosso peito o sentimento de superação.
Nossos passos foram difíceis, nossos rostos marcados pelo sol e pelas incompreensões, mas este até hoje carrega um sorriso largo, a todos que nos pedem ajuda.
Alguns nos criticam, pois manipulamos há bebida um pouco demais, mas é que ainda estamos presos a nosso passado, e nosso amor é tanto pela vida que queremos de alguma forma nos sentirmos vivos. Alguns dizem que somos desequilibrados, mas digo que não, apenas cumprimos a lei sagrada, e essa ás vezes deixa marcas em nosso corpo etéreo. Outros vão mais além e dizem que somos a escória do plano espiritual, mas digo que não, somos humildes sim, fazemos trabalhos em lugares que poucos adentram, mas alguém deve fazer essas tarefas, mas infelizmente alguns não nos dão valor, mas o importante é que desde um nego veio até um Exu dá valor a nosso trabalho regenerador. 
Gosto de dizer que somos a ponta do punhal, a linha de frente dos trabalhos, talvez por este motivo sejamos tão incompreendidos. Mas digo a vocês irmãos queridos, é só nosso povo estar em terra que a alegria e a felicidade tomam conta do ambiente.
Somos um povo guerreiro que vencemos tamanhas dificuldades em vida, alguns de nós injustiçados pelas leis dos homens, outro coagido por terem seu modo de vida mais liberta, mas somos genuinamente brasileiros, e amamos esta terra, fomos um dos braços do progresso desse Torrão, e hoje baixamos no terreiro trazendo nossa energia amparando e limpando todo mal, para que nossos companheiros Exus efetuem seu trabalho.
Não pensem que esta carta é um lamento, e nem uma advertência ou desabafo, e sim um comunicado de quanto nós Baianos, Boiadeiros e Marinheiros, tanto amamos vocês encarnados.
E não se esqueçam queridos companheiros o quão mais perto da luz vocês estiverem, mais longe das trevas vocês estarão.

Baiano José Francisco, mais conhecido como “Zé Faísca”.
Médium: Leonardo Del Pezzo

sábado, 14 de maio de 2011

Baiana Maria Olindina da Luz na Umbanda


A baiana chegou da Bahia...
Rosalva caminhava com dificuldade equilibrando os baldes com água que trazia, um sobre a cabeça e mais um em cada mão. Essa era sua tarefa de todas as manhãs, seguia até a cacimba que ficava a cinco quilômetros de seu pequeno povoado, enchia os três baldes que serviriam para as tarefas diárias de sua família e voltava cantarolando pelos caminhos secos e arenosos do sertão nordestino. Normalmente ia e voltava com outras pessoas que faziam o mesmo percurso, mas hoje, tinha pressa, era dia de procissão na igreja de São João e ela não queria perder tempo, despediu-se dos acompanhantes e partiu com pressa. Na flor de seus dezesseis anos, sonhava encontrar alguém para casar e nada melhor que a quermesse da paróquia. Ia fazendo planos de namoro e casamento com alguém que encontraria logo mais a noite. De repente dois homens pularam em sua frente. Seu coração disparou. Eram cangaceiros. Conhecia as histórias que se contavam a respeito deles e sabia que teria de fugir imediatamente, jogou os baldes e precipitou-se em uma corrida desesperada. A perseguição foi difícil, a menina corria muito, mas os homens conseguiram enfim alcança-la. As lágrimas e pedidos de clemência foram inúteis. Rosalva foi impiedosamente deflorada por ambos. Jogada no chão tentando cobrir a nudez com os restos do vestido rasgado, encarou seus algozes que riam satisfeitos: - Vou com vocês! - falava sério, com o olhar vidrado de ódio - O que mais me resta depois do que me fizeram? Os homens entreolharam-se surpresos: - O que tá dizeno menina? - Quero seguir seu bando, não posso mais casar, estou perdida! Vou com vocês. Assim Rosalva entrou para a vida errante do cangaço. Durante vários anos fez parte do grupo que perambulava pelas cidades fazendo assaltos que garantiam a sobrevivência do grupo. Não aprovava as mortes espalhadas pelo bando e por isso nunca usara nenhuma arma, fazia apenas o "apanhamento" que era como eles chamavam o furto praticado depois de algumas chacinas. Foi em um desses ataques que tudo se precipitou. Um pequeno sitio foi invadido por eles e dois homens foram mortos. Rosalva recebeu a ordem de fazer o apanhamento, como de hábito. Ao entrar no quarto para exercer sua tarefa encontrou uma mulher, grávida, totalmente descontrolada que empunhava uma grande faca e partiu para cima dela. A lâmina provocou um corte profundo em seu braço fazendo com que gritasse de dor. Roxinho que estava em outro cômodo correu para lá a tempo de chutar a mão da mulher, o que fez com que a faca voasse por sobre a cama e a mulher em desequilíbrio fosse ao chão. O cangaceiro ao perceber a avançada gestação, entregou sua garrucha para Rosalva: - Mate a vagabunda, fiz promessa de não matar prenha! Ela olhou pra o companheiro espantada. - Não posso, nunca matei ninguém! - Sempre tem primeira vez, mate logo. Essa franga te cortou! Ela sabia que as ordens de Roxinho não deviam nunca ser desobedecidas. Empunhou a arma e apontou para a cabeça da mulher. Esta, acuada e pronta para a morte, olhou com ódio para ela: - Mate infeliz e leve para o inferno o pecado de ter matado dois! Rosalva, trêmula, engatilhou. Em uma fração de segundos levou o cano para a própria fronte e disparou. Acabava aí a história de uma mulher que nunca conseguiu ser feliz.
Hoje, nossa companheira de todas as horas traz na terra o nome de Maria Olindina, na linha dos baianos é só sorriso e alegria, deixou para trás a vivência sofrida em terras nordestinas para ser nossa mãe, amiga e confidente para todas as horas.

Sarava Dona Maria Olindina da Luz


Fonte: Espada de Ogum



Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei

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