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sábado, 14 de maio de 2011

Baiana Maria Olindina da Luz na Umbanda


A baiana chegou da Bahia...
Rosalva caminhava com dificuldade equilibrando os baldes com água que trazia, um sobre a cabeça e mais um em cada mão. Essa era sua tarefa de todas as manhãs, seguia até a cacimba que ficava a cinco quilômetros de seu pequeno povoado, enchia os três baldes que serviriam para as tarefas diárias de sua família e voltava cantarolando pelos caminhos secos e arenosos do sertão nordestino. Normalmente ia e voltava com outras pessoas que faziam o mesmo percurso, mas hoje, tinha pressa, era dia de procissão na igreja de São João e ela não queria perder tempo, despediu-se dos acompanhantes e partiu com pressa. Na flor de seus dezesseis anos, sonhava encontrar alguém para casar e nada melhor que a quermesse da paróquia. Ia fazendo planos de namoro e casamento com alguém que encontraria logo mais a noite. De repente dois homens pularam em sua frente. Seu coração disparou. Eram cangaceiros. Conhecia as histórias que se contavam a respeito deles e sabia que teria de fugir imediatamente, jogou os baldes e precipitou-se em uma corrida desesperada. A perseguição foi difícil, a menina corria muito, mas os homens conseguiram enfim alcança-la. As lágrimas e pedidos de clemência foram inúteis. Rosalva foi impiedosamente deflorada por ambos. Jogada no chão tentando cobrir a nudez com os restos do vestido rasgado, encarou seus algozes que riam satisfeitos: - Vou com vocês! - falava sério, com o olhar vidrado de ódio - O que mais me resta depois do que me fizeram? Os homens entreolharam-se surpresos: - O que tá dizeno menina? - Quero seguir seu bando, não posso mais casar, estou perdida! Vou com vocês. Assim Rosalva entrou para a vida errante do cangaço. Durante vários anos fez parte do grupo que perambulava pelas cidades fazendo assaltos que garantiam a sobrevivência do grupo. Não aprovava as mortes espalhadas pelo bando e por isso nunca usara nenhuma arma, fazia apenas o "apanhamento" que era como eles chamavam o furto praticado depois de algumas chacinas. Foi em um desses ataques que tudo se precipitou. Um pequeno sitio foi invadido por eles e dois homens foram mortos. Rosalva recebeu a ordem de fazer o apanhamento, como de hábito. Ao entrar no quarto para exercer sua tarefa encontrou uma mulher, grávida, totalmente descontrolada que empunhava uma grande faca e partiu para cima dela. A lâmina provocou um corte profundo em seu braço fazendo com que gritasse de dor. Roxinho que estava em outro cômodo correu para lá a tempo de chutar a mão da mulher, o que fez com que a faca voasse por sobre a cama e a mulher em desequilíbrio fosse ao chão. O cangaceiro ao perceber a avançada gestação, entregou sua garrucha para Rosalva: - Mate a vagabunda, fiz promessa de não matar prenha! Ela olhou pra o companheiro espantada. - Não posso, nunca matei ninguém! - Sempre tem primeira vez, mate logo. Essa franga te cortou! Ela sabia que as ordens de Roxinho não deviam nunca ser desobedecidas. Empunhou a arma e apontou para a cabeça da mulher. Esta, acuada e pronta para a morte, olhou com ódio para ela: - Mate infeliz e leve para o inferno o pecado de ter matado dois! Rosalva, trêmula, engatilhou. Em uma fração de segundos levou o cano para a própria fronte e disparou. Acabava aí a história de uma mulher que nunca conseguiu ser feliz.
Hoje, nossa companheira de todas as horas traz na terra o nome de Maria Olindina, na linha dos baianos é só sorriso e alegria, deixou para trás a vivência sofrida em terras nordestinas para ser nossa mãe, amiga e confidente para todas as horas.

Sarava Dona Maria Olindina da Luz


Fonte: Espada de Ogum



Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei

sábado, 26 de março de 2011

BAIANA MARIA 7 SAIAS

Depois de toda a alegria de encontrar velhos amigos e ministrar mais uma turma de Magia das Oferendas, especialmente na Fundação Cacique Cobra Coral, neste dia teria a festa em louvo á Baiana...


Tudo correndo tranquilamente, a passagem do Sr. Cobra Coral me emocionou particularmente pela admiração ao trabalho que o mesmo desenvolve, depois os marinheiros, boiadeiros mesclado com todos outros que quisessem ali prestar a caridade, observando isso fui abordado pelo Sr. Boiadeiro que dirigia a gira:

- Moço, o que enriquece nossa religião?

Como sempre as entidades nos fazem perguntas de difícil resposta imediata, como responder esta simples pergunta quando a resposta é tão vasta, ainda quando amamos esta maravilhosa Umbanda, me arrisquei:

- Sr. esta é uma pergunta de ampla resposta.

- É a nossa mescla, a mistura de raças, valores, crenças, cores, classes etc. Veja a gira, temos Zé Pelintra, Boiadeiro, Baiano, Exu, Marinheiro, Cigano, todos juntos trabalhando. Pra quê estipular um dia para cada linha se todos podem dar as mãos e fazer um trabalho melhor? – dito isto ele virou as costas em direção ao seu posto ao que ainda olhou pra trás e disparou: - Pense nisso moço!

Como não pensar, estava ali nos meus olhos a beleza deste conceito, a unidade na diversidade, isto que honra e justifica o termo Um-banda.

Assim foi correndo a gira...

Logo mais os mentores de despediam, finalizando com o baile da Cigana, seu nome é amor, como canta irmão Hans, palmas que vibraram o ambiente e foi-se a cigana correr seu trecho.

Chegou o grande momento, a presença da Baiana e falangeiros...

Irmão Scritori e Bárbara vibram finalmente o couro e tudo muda naquele ambiente ao som do ponto: “...Baiana seu tabuleiro tem axé...”

Ao pé do altar uma imensa oferenda de cocos verde, frutas e flores amarela, 21 velas amarelas e sete copos de bambu com batida de coco, dois coqueiros no vaso faziam uma espécie de pilastra, isto era o que olhos da carne permitiam observar, porém o manto amarelo vivo que cobria parte da oferenda, ao som do atabaque puxou pra si as chamas das velas e uma intensa luz começou a se formar e um arco de luz unia as pontas nos coqueiros, das flores uma fumaça luminosa se dissipava no ambiente, logo percebi ser o prâna e então um portal de intensa luminosidade se formou de onde saiu aquela bela morena, passo seguinte conectada na Sra. Adelaide, seu aparelho.

Alguns emocionados, com o rosto brilhante ela saúda o seu portal, ou as oferenda? Depende do ponto de vista, hehehe...

Vira-se á curimba e reverencia, talvez o toque ou aqueles dois que viste nascer e ali já adultos podiam tocar e cantar à ela. Da sua saia que no físico tinha sete cores em camadas o que não foi possível observar no etérico, ela se envolvia por luzes circulantes, multicolorido sem parada, fluxo acelerado e mais parecia um organismo vivo, pois daquela “saia” realmente muita mironga saia, a cada um que ela abraçava a saia envolvia de luz e a emoção era incontrolável, após abraçar a todos ela já até poderia ir embora, pois todo o trabalho de energização já estava feito...

Sentou-se e um a um prestou suas palavras de orientação e conforto que mexia com o coração e as lágrimas eram inevitáveis...

“A Umbanda é linda pra quem sabe trabalhar...”

Não pude ficar até o encerramento do trabalho...mas ainda pude ver a chegada dos baianos e com a presença do Mestre Severino que com um atabaque fazia ressonar o som de sete ao mesmo tempo...

Ali tentei plantar uma semente do saber no curso e saí com um coqueiral na minha alma...

Deixo meu fraterno abraço a todos da Toca da Coral, Bonfá com sua inspiração a nos emocionar, Scritori com seu espírito ordenador a nos honrar, Miguel com visão a nos clarear e Adelaide com seu Sacerdócio Natural a nos abençoar...

Aqui declino minha gratidão e singela homenagem á Baiana, Maria das 7 Saias...

Saravá! Salve a Bahia!

Postado no Grupo de Estudos Boiadeiro Rei

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